(17/01/2019) PT na Câmara: Benedita da Silva: armas acessíveis para reprimir movimentos sociais

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A violência no Brasil deve recrudescer com mais brasileiros comprando armas. Isso acontecerá no País com o decreto que facilita a compra e a posse de armas de fogo. A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) critica a medida que elevará os índices de homicídios no Brasil, os quais já ultrapassam mais de 60 mil ao ano. A parlamentar avalia que um dos objetivos da iniciativa do governo federal é “armar essa elite civil para servir de base segura para a política de repressão aberta do governo contra os movimentos sociais”. Leia o artigo – publicado no Portal 247 – na íntegra:

 

Armas matam!

*Benedita da Silva

Parece que Bolsonaro começou a cumprir a promessa que se tornou o carro-chefe de sua campanha, produzindo até mesmo o conhecido gesto da mão em forma de arma.

Por enquanto Bolsonaro liberou a posse de arma, mas pelo frenesi repressivo que domina o governo, acredito que não vai demorar em liberar também o seu porte.

Onde a venda de armas é liberada, como nos Estados Unidos, país modelo de Bolsonaro, que só copia desse grande país o que não presta, a taxa de homicídio é 25 % maior do que a dos países mais desenvolvidos.

No caso do Brasil, que já está há muito tempo no pódio dos países em que mais se mata, registrando 60 mil homicídios no ano passado, a liberação de armas só vai inflar ainda mais esse número macabro.

“Armar o cidadão de bem para combater a violência” é uma ideia simples, direta, mas totalmente ilusória, que sobrevive se alimentando da incompetência dos governos e da demagogia dos políticos.

Não se trata, obviamente, de uma política de segurança pública, como deveríamos esperar de um governo eleito, mas da criação de uma nova divisão de classes, entre o que ele chama “cidadão de bem” e o criminoso, conceito que vem sendo estendido até mesmo para simples manifestantes.

Por enquanto vive-se uma euforia de promessa cumprida, pelo menos em parte, pois o que se quer mesmo é o porte livre de arma. Mas aquela divisão de classes, entre o tal “cidadão de bem” e os “outros”, logo será sentida pela base popular que votou em Bolsonaro pensando em usar arma.

Essa definição, que vem embutida na medida do governo como condição para a aquisição da arma, exclui logicamente o povo, povo este que Bolsonaro vai massacrar com a sua política econômica.

Para ele, “cidadão de bem” é todo aquele cidadão ou cidadã que tem propriedade e/ou renda elevada. É a elite social, portanto. O que se pretende é armar essa elite civil para servir de base segura para a política de repressão aberta do governo contra os movimentos sociais.

 

*Artigo publicado originalmente no Portal Brasil 247

 

*Benedita da Silva é deputada federal (PT-RJ), foi governadora do RJ, senadora (PT-RJ) e ex-ministra no Governo Lula

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